Nos primeiros meses de 2018, os moradores do bairro do Pinheiro, em Maceió, foram surpreendidos por afundamentos e rachaduras no solo, culminando em um tremor de terra de 2.4mR em março. O fenômeno, conhecido como “O Caso Pinheiro,” foi atribuído à extração de sal-gema pela empresa Braskem, afetando também os bairros Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. Devido à gravidade da situação, a Braskem firmou um acordo bilionário em 2021 para compensar e realocar os moradores das áreas de risco, especialmente após o agravamento da situação com a pandemia de Covid-19.

Na primeira metade do século XX, o Conselho Nacional do Petróleo (CNP) descobriu um depósito de salgema em Maceió durante perfurações em busca de petróleo, mas inicialmente não o explorou. Nos anos 1960, o empresário Euvaldo Luz obteve autorização para explorar a salgema, que é um sal mineral de alta pureza usado em várias indústrias. Em 1974, começou a construção da Salgema Indústrias Químicas S/A, atual Braskem, que iniciou a extração de salgema em 1976. A Odebrecht adquiriu a empresa e formou a Braskem, que se tornou líder petroquímica na América Latina.

Desde o início das operações, a Salgema enfrentou problemas ambientais e de segurança, incluindo vazamentos de cloro, explosões e contaminação ambiental, resultando em várias vítimas e impactos negativos para a população local. Documentos como a “Operação Catavento” destacaram os perigos do cloro para a saúde humana e os riscos ambientais. A escolha do local para a instalação foi criticada por não considerar adequadamente a expansão urbana, o turismo e o ecossistema. Movimentos sociais surgiram em resposta aos impactos ambientais e às operações da empresa.

O impacto urbanístico provocado pela instalação do Polo Cloroquímico

A instalação do Polo Cloroquímico Salgema na Praia da Avenida, em Maceió, transformou drasticamente a região. Antes um ponto turístico vibrante e frequentado, a área tornou-se desvalorizada e esvaziada, com impactos negativos no turismo local. A construção do polo causou alterações ambientais significativas, como a modificação da Laguna Mundaú e a desfiguração do Pontal da Barra. A expansão da Salgema também gerou medo na população devido aos produtos químicos perigosos, deslocando o turismo para outras áreas da cidade. O bairro vizinho de Jaraguá e a área ao redor ficaram abandonados, apesar de esforços de revitalização pela prefeitura.

A instalação do Polo Cloroquímico Salgema na Praia da Avenida, em Maceió, transformou drasticamente a região. Antes um ponto turístico vibrante e frequentado, a área tornou-se desvalorizada e esvaziada, com impactos negativos no turismo local. A construção do polo causou alterações ambientais significativas, como a modificação da Laguna Mundaú e a desfiguração do Pontal da Barra. A expansão da Salgema também gerou medo na população devido aos produtos químicos perigosos, deslocando o turismo para outras áreas da cidade. O bairro vizinho de Jaraguá e a área ao redor ficaram abandonados, apesar de esforços de revitalização pela prefeitura.

Apesar da desocupação de muitos imóveis, alguns moradores insistiram em permanecer, recusando o Programa de Compensação Financeira (PCF). Com a assinatura do acordo, os bairros se tornaram desertos e anúncios de venda de imóveis se multiplicaram. Segundo Geraldo Freire, corretor com mais de trinta anos de experiência, os imóveis estavam totalmente desvalorizados, sem compradores interessados. A saída da população e o desinteresse transformaram os bairros em “bairros fantasmas”, tornando inevitável a adesão ao acordo da Braskem.

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